O corredor ibérico do frio: como se abastece a grande distribuição portuguesa a partir de Espanha

Muitas empresas espanholas vendem os seus produtos em Portugal, mas poucas conhecem realmente a complexidade logística que existe por detrás de uma prateleira sempre abastecida.

Partilhar uma fronteira não significa partilhar a mesma rede logística. Embora Espanha e Portugal funcionem cada vez mais como um único mercado comercial, abastecer a grande distribuição portuguesa exige uma operação específica, capaz de responder a janelas de entrega rigorosas, manter a cadeia de frio e garantir um fornecimento contínuo.

As principais cadeias portuguesas -Continente, Pingo Doce, Intermarché, Auchan, Lidl, Mercadona ou Aldi- trabalham com plataformas logísticas altamente estruturadas e elevados requisitos de qualidade para a receção de produtos refrigerados. Um atraso não significa apenas uma entrega fora do prazo; pode traduzir-se em penalizações, reorganização de rotas ou até na perda de uma reposição prevista.

Segundo a DBK, o mercado ibérico da distribuição alimentar ultrapassou os 139 mil milhões de euros em 2024, com Portugal a representar aproximadamente 22,7 mil milhões, enquanto a logística a temperatura controlada atingiu os 6 mil milhões de euros em 2025, impulsionada pelo crescimento do consumo de produtos frescos e pela externalização logística.

Um corredor logístico que começa muito antes de o camião ser carregado

Quando se fala de um corredor logístico entre Espanha e Portugal, é habitual pensar-se numa estrada. Na realidade, um corredor é uma sucessão de processos perfeitamente coordenados, que começam muito antes de um veículo iniciar a sua rota.

Tudo começa com a recolha de produto junto de diferentes fabricantes espanhóis. Muitos deles não geram volume suficiente para completar um veículo, pelo que a consolidação através de grupagem se torna uma solução essencial para manter custos competitivos sem abdicar da agilidade do serviço.

Para isso, é indispensável dispor de armazéns preparados para trabalhar com produtos refrigerados, onde a mercadoria possa ser classificada, consolidada e preparada sem quebrar a cadeia de frio. Nestas instalações também podem ser realizadas operações de picking, cross-docking, etiquetagem ou controlo de stock, sempre que a operação do cliente assim o exija.

A chave está na rede, não na distância

Depois de a mercadoria estar consolidada, começa a parte mais visível do processo: o transporte. No entanto, a diferença entre um operador generalista e um operador especializado no eixo Espanha-Portugal não está nos quilómetros percorridos, mas na infraestrutura que sustenta toda a operação.

A Soapa Europa opera através de uma rede de centros logísticos distribuídos entre os dois países e de rotas regulares que permitem abastecer plataformas logísticas, grossistas e grandes superfícies portuguesas. Esta estrutura evita percursos desnecessários e permite consolidar mercadorias provenientes de diferentes fabricantes espanhóis num único fluxo logístico com destino a Portugal.

O resultado é uma melhor ocupação dos veículos, menos manipulações intermédias, um planeamento mais estável e uma maior frequência de serviço, aspetos especialmente importantes quando se trabalha com produtos perecíveis e cadeias de distribuição que exigem reposições contínuas.

O objetivo não consiste apenas em reduzir os tempos de trânsito, mas em garantir que cada expedição chega de acordo com as condições estabelecidas com o cliente e que a cadeia de frio se mantém intacta durante toda a operação.

A temperatura é apenas um dos controlos

Na logística refrigerada, fala-se muitas vezes apenas de graus centígrados. No entanto, manter a temperatura adequada representa apenas uma parte do trabalho.

Num transporte refrigerado, as condições térmicas devem manter-se estáveis desde a carga até à entrega, independentemente do número de paragens ou das operações logísticas realizadas ao longo do percurso. Para o garantir, para além do controlo da temperatura, é essencial dispor de sistemas de monitorização contínua, registos que permitam verificar as condições de conservação e uma rastreabilidade completa de cada expedição.

Cada envio exige saber, a todo o momento, onde se encontra o produto, que veículo o transporta e como agir rapidamente perante qualquer incidência antes de esta afetar o abastecimento. Nos produtos perecíveis, poucas horas podem fazer a diferença entre preservar a qualidade ou comprometê-la.

A rastreabilidade tornou-se, por isso, um elemento essencial para garantir tanto a segurança alimentar como a eficiência operacional. No nosso blog, pode descobrir por que motivo é determinante para a cadeia de frio.

Uma única operação para dois países

São cada vez mais os fabricantes que consideram Espanha e Portugal como um único mercado comercial. No entanto, muitas operações continuam fragmentadas entre diferentes operadores para o transporte internacional, o armazenamento e a distribuição interna. Este modelo aumenta os pontos de manipulação, dificulta a rastreabilidade e reduz a capacidade de reação perante qualquer incidência.

Em contrapartida, dispor de uma rede logística integrada entre os dois países permite coordenar armazenamento, grupagem, transporte e distribuição sob um único modelo operacional. Isto simplifica a gestão, reduz tempos improdutivos e oferece uma maior visibilidade sobre cada expedição.

Com esta filosofia, a Soapa Europa desenvolveu uma operação específica para ligar Espanha e Portugal através de serviços de grupagem, carga completa, armazenamento frigorífico e distribuição especializada, adaptando-se às necessidades dos fabricantes e distribuidores alimentares que operam nos dois mercados.


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